Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Queridos amigos e irmãos da Paróquia de Santa Gema Galgani, que a graça e a paz de Nosso Senhor por meio da poderosa intercessão da Virgem Santíssima estejam em seus corações e em suas famílias.
Hoje tenho uma missão que é falar um pouco da história da minha vida. Não faço isso para demonstrar os meus méritos - mesmo porque, não tenho absolutamente nenhum - mas para que seja louvado o nome do Pai de bondade, que sempre nos espera de braços abertos e da qual sou testemunha viva.
Por volta dos meus seis anos de idade, minha mãe e minha avó decidiram nos consagrar (eu e meus irmãos) à Santíssima Virgem, então escrevi em ato de consagração: “Eu, Ana Lúcia, entrego meus pensamentos, palavras, obras, minha alma, meu corpo a vós. Cuidai de mim contra os inimigos por toda a minha vida”. Papel que carrego até hoje comigo, pois bem sei do valor que tem e dos males que a Virgem me livrou.
Fiz a minha Primeira Santa Comunhão no dia 1º de Outubro de 1995 (dia de Santa Terezinha do Menino Jesus) aos dez anos. Foi um dia belíssimo, apesar da minha pouca consciência da imensa realeza que se unia à minha miséria, desse Deus que me acompanharia por toda a vida, mesmo nos momentos onde eu O negaria.
Nos dias 17, 18 e 19 de Maio de 1997 participei de um encontro de oração da Paróquia Senhor do Bonfim que mudou a minha vida e desde então me engajei em vários movimentos, fiz muitas amizades, missões de evangelização, mas nunca muito a fundo, por muito tempo permaneci apenas na superfície, escutando, assistindo, mas sem uma busca real pela vivência do Evangelho.
No dia 30 de setembro de 1998, a Santíssima Virgem vem buscar sua filha e minha avó, que falece vítima de câncer no intestino. Isso nos tira o chão, minha mãe sofre terrivelmente com a ausência da mãe, e nós sofremos juntos, pois a tínhamos como uma segunda mãe.
O tempo foi passando, eu fui crescendo, me envolvendo com muitas coisas, fazendo planos, trabalhando, estudando, namorando e descobrindo o mundo sozinha. Pouco a pouco fui me envolvendo com tudo aquilo que o mundo me dava, mas nunca era suficiente, sempre queria mais porque o que eu buscava não me saciava. Aos 18 anos abri uma empresa junto com o rapaz que eu namorava, tínhamos planos de crescer, de ganhar dinheiro e ter uma vida estável, mas – ao contrário do que planejávamos – com três anos e meio de empresa, tudo ia de mal a pior. Eu culpava a Deus por todas as minhas dificuldades, parei de ir à Missa, parei de tocar na igreja, tinha raiva d’Ele e não aceitava que os negócios não dessem certo. Tinha inveja quando via que alguém tinha uma vida mais próspera do que a minha. No namoro também ia tudo muito mal, só brigávamos, discutíamos, tinha por certo que o mundo conspirava contra mim. Coloquei a minha família numa triste situação, já que por causa das dívidas, todo mundo foi envolvido, meus pais tiveram que emprestar muito dinheiro, mas nem assim conseguimos progredir. A essa altura a minha fé já estava debaixo da terra, sepultada sob a minha ambição, o meu egoísmo e toda uma multidão de pecados. Mais tarde li nos escritos de Santa Teresa d´Ávila algo que se encaixa perfeitamente nesse momento da minha vida: “Quer o Senhor que busquemos a verdade, e nós buscamos a mentira; quer que amemos o eterno, e nós inclinamo-nos para o que acaba; quer que aspiremos às coisas grandes e elevadas, e nós desejamos as baixas e terrenas; quereria que quiséssemos só o que é seguro, e nós amamos o que é incerto”. (Caminho de perfeição)
Terminei o namoro, queria mudar tudo, sem saber como, mas uma força me conduzia. Sofri muito quando percebi que tinha perdido tudo, já não tinha namorado, me sentia vazia, sozinha e abandonada. Chorei por uma semana inteira, comendo pouco e sem saber o que fazer já que não conseguia mais continuar na empresa por conta do fim do namoro. Foi aí que o meu irmão me convidou pra tocar na Santa Gema, no Ministério Nova Vida. Eu tinha tudo pra dizer não, pelo estado em que me encontrava, mas, sem saber como, aceitei o convite. Mais tarde, nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2008 participamos de um encontro da Toca de Assis que marcou pra sempre a minha vida, e ainda hoje sou capaz de ouvir claramente uma profecia dita pelo Padre Roberto Lettieri: “Hoje o Senhor está constituindo verdadeiros adoradores”, tudo que pedi nesse encontro foi através de uma música que diz: “só um adorador eu quero ser Senhor, mesmo que eu venha a perder tudo o que possuo nesta terra”. Foram tantas graças recebidas nesses dias e tamanha foi a força da Misericórdia do Senhor que me retirava das profundezas do pecado em que eu me encontrava, que tudo se fez novo, a partir daí eu era outra pessoa, disposta a vencer todo o pecado e fazer a vontade de Deus, adorando-O no Santíssimo Sacramento com toda a minha alma e me fortalecendo através da oração.
Rezei muito, pedi que Ele agisse em minha vida e me tirasse da situação em que eu vivia. Em relação à empresa, a resposta do Senhor foi: “Tem-vos demorado muito tempo nesse monte, voltai e parti” (Deut. 1, 6-7). Então saí da empresa e milagrosamente, todos os problemas começaram a se dissipar diante d’Aquele que agora me sustentava.
Foi durante a minha preparação para a escravidão à Nosso Senhor por meio da Virgem Maria (São Luis Maria Grignion de Monfort), que eu recebi o chamado à vocação religiosa, mais precisamente no dia 10 de Maio de 2009. Tive medo, mas ardia em mim um desejo de unir-me dia e noite Àquele que me livrou e me salvou. Era Ele quem realmente me alegrava, me amava, me saciava de verdade. Muitas pessoas me ajudaram nesse momento de discernimento, e o primeiro deles foi o Padre Cássio, antes mesmo de sonhar que pudesse ser pároco da Santa Gema. Ainda assim, demorei até atender o chamado, até buscar descobrir aonde Ele me queria e de que forma queria que eu O servisse. Foi em 1º de maio de 2010 a minha primeira visita ao Carmelo de Santa Teresa em São Paulo. Uma alegria invadiu a minha alma, mas junto dela estava o meu temor.
Muitas coisas maravilhosas se passaram em todo este tempo e o meu medo foi dando lugar à confiança n’Aquele que tudo pode, e dia 16 de janeiro é o dia da minha entrada na Ordem Carmelita Descalça, no Mosteiro Santa Teresa.
O salmo que me acompanha já há muitos meses e que ecoa vivo em minha mente é: “Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo o que Ele fez em meu favor?” (Salmos 115, 3), e com esse versículo eu respondo: nada menos do que com a vida.
Um feliz e terno abraço,
Ana Lucia Fakeiti
Ana Lucia Fakeiti
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